Francisco Soriano de Souza Nunes (12/08/1943) economista, é mineiro de Teófilo Otoni. Aos 17 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro.

 

Já na sua cidade, atuava na política, tendo, mesmo menor idade, subido ao palanque do marechal Teixeira Lott (nacionalista que assegurou o apoio do Exército à posse de JK e que sentenciou: “A Petrobrás é Intocável”), do PTB/PSD, para a presidência da República.

 

Naqueles anos, era comensal do Restaurante dos Estudantes, o famoso Calabouço, nos anos de 1962 a 1964, onde vivenciou inúmeros movimentos contra as injustiças do capitalismo e por melhores condições de ensino em nosso país.

 

Em 1965, através de concurso público, foi admitido na PETROBRÁS, como auxiliar de escritório. Três anos depois, participou das eleições do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Destilação e Refinação de Petróleo do Estado da Guanabara, SINDIPETRO/GB, como membro da Chapa Verde, de oposição à política de arrocho salarial do governo ditatorial e em defesa do monopólio estatal do petróleo. Por tal participação, foi demitido, juntamente com outros companheiros, apesar de cobertos pela imunidade sindical, que assegurava a estabilidade no emprego.

 

Entre março de 1965 até julho de 1969 estudou na Faculdade de Ciências Econômicas do antigo Estado da Guanabara, e, por participar da política sindical e estudantil contra a ditadura, na madrugada de 01/08/69 foi preso em sua residência, que foi revirada pelos agentes da ditadura, na presença de seus familiares.

 

Em seguida, foi violentamente torturado pelo então Centro de Inteligência da Marinha (CENIMAR) e pelo Batalhão de Polícia do Exército do Quartel da rua Barão de Mesquita e da Vila Militar.

Reconduzido para o Ministério da Marinha, lá permaneceu de 29/08/69 a 19/11/69, sendo recolhido à prisão da Ilha das Flores e mais tarde ao presídio da Ilha das Cobras (próximo ao Arsenal da Marinha). Lá continuou sendo submetido a freqüentes interrogatórios acompanhados de tortura moral e física.

 

Em 1970, por um ato secreto, foi impedido de estudar por quatro anos consecutivos, com base pelo Decreto 477, quando também foi indiciado e denunciado em Inquérito Policial Militar – IPM instaurado pelo 1º Distrito Naval para apurar as atividades do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário – PCBR.

Ainda em 1970, casou-se com Ivone Espínola de Souza Nunes e se mudou para Campina Grande (PB).

 

Em fevereiro de 1974, matriculou-se na Faculdade de Ciências Econômicas de Universidade do Estado da Paraíba, tentando assim concluir o curso de Economia. Em função de pedido de transferência de universidade, foi localizado pelo Serviço de Informações do Ministério da Educação, onde constava como procurado, e seqüestrado pelo DOI/CODI em 16 de abril de 1974, sendo levado para um quartel do IV Exército em Recife. No trajeto, sofreu simulação de fuzilamento numa auto-estrada deserta entre João Pessoa e Campina Grande, quando o fizeram sair de uma viatura, atravessar a pista e antes de embarcar na outra deram, deram vários disparos de tiros em outra direção.

 

Permaneceu incomunicável durante quinze dias, respondendo a interrogatórios de olhos vendados e ficando por longos períodos de pé algemado na grade da cela e recebendo choques elétricos nas partes mais sensíveis do corpo, até ser solto.

 

Respondeu ao processo do PCBR como indiciado, durante oito anos até ser absolvido em 12 de maio de 1977, sendo que, em todas as audiências, seu nome era divulgado por todos os grandes órgãos de imprensa.

 

Em 1985, Soriano retornou finalmente à PETROBRÁS como anistiado político, ficando lotado na Área de Planejamento Econômico – SERPLAN, como Assistente Técnico de Administração. Nos movimentos populares, sociais e pela anistia, mergulhou de corpo e alma, tornando-se membro da direção do MODECON, PACS, CONAPE, CTO... e não consegue ficar alheio a nenhuma manifestação popular.

 

Em 2002, foi eleito diretor da secretaria de Formação Sindical do Sindicato de Petroleiros do Rio de Janeiro – Sindipetro-RJ e, em 2005, reeleito para ocupar a Secretaria de Finanças.

 

Muitos de seus companheiros de lutas políticas, de fora e de dentro das prisões que habitou, foram mortos na tortura e dados como desaparecidos. Mas os torturadores não conseguiram jamais fazê-lo capitular e parar de lutar por um Brasil soberano e por uma sociedade mais justa e solidária.

 

Soriano atuou com o Grupo Tortura Nunca Mais – GTNM para o resgate de suas memórias e muitos deles são hoje nomes de logradouros públicos. Não há um só dia em que não se recorde deles buscando reverenciá-los através da luta pelas liberdades e pelo avanço social da nossa Pátria.

 

O autor gosta de ressaltar que Barbosa Lima Sobrinho foi seu grande mestre. Ensinou-lhe a lutar sem revanchismo e a conjugar nacionalismo com democracia e justiça social. Mostrou-lhe também que todos os irmãos brasileiros, civis e militares agora têm de se unirem, estudarem muito e lutarem pela soberania nacional, hoje, mais do que nunca, perigosamente ameaçada.

 

Em 18 de outubro de 2005, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, ALERJ, conferiu ao autor a Moção de Aplausos e Louvor, proposta pelo eminente deputado Paulo Ramos, numa sessão solene em que foram comemorados os 51 anos de criação da Petrobrás

 

Pela Resolução 238/2011, foi conferido o título de cidadão do Estado do Rio de Janeiro, entregue ao autor em sessão solene de 8 de setembro de 2011, presidida pelo deputado Paulo Ramos.